Walski Almeida Advocacia

Porque somos a favor do fim da escala 6×1?

O debate sobre o fim da escala 6×1 tem tomado espaço entre os brasileiro nos últimos anos, com muito mais ênfase nessas últimas semanas após a votação da PEC 221/2019 que prevê a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e dois dias de folga, também, por semana . Atualmente, para muitos trabalhadores e trabalhadoras, a jornada de seis dias seguidos e apenas um para o descanso semanal, representa uma rotina marcada pelo desgaste físico, mental e pela dificuldade de conciliar trabalho, família e vida pessoal.

Mas afinal, o que está em jogo quando falamos em redução da jornada de trabalho?

Existe uma crença de que os brasileiros trabalham menos do que deveriam. Os dados mostram exatamente o contrário. O Brasil está entre os países com maiores jornadas de trabalho do mundo, superando diversas economias desenvolvidas. Nesse contexto, o debate sobre a redução da jornada não trata de trabalhar menos, mas de construir formas mais eficientes e humanas de organização do trabalho. A discussão envolve produtividade, saúde, bem-estar e qualidade de vida.

(Dados extraídos de pesquisa Feenstra et al. – Penn World Table, 2025; Huberman e Minns, 2005. Leia mais: Fim da escala 6×1: qual é a carga horária de outros países do mundo?)

O adoecimento relacionado ao trabalho tem se tornado uma preocupação crescente. Casos de ansiedade, depressão, síndrome de burnout e afastamentos por transtornos psicológicos aumentam ano após ano. Pesquisadores da FIOCRUZ apontam que jornadas extensas associadas a períodos insuficientes de descanso elevam significativamente os riscos para a saúde física e mental dos trabalhadores e trabalhadoras.

Garantir mais tempo para lazer, descanso, convivência familiar e participação comunitária contribui para uma sociedade mais saudável e equilibrada. É preciso distinguir que descansar não é um privilégio. É uma necessidade humana.

Um dos principais argumentos contrários à redução da jornada é o suposto impacto econômico negativo. Porém, existem diversos países que vêm adotando políticas de redução da carga horária no cotidiano dos trabalhadores. Chile e México avançam nesse debate, enquanto economias altamente produtivas, como Alemanha,  Holanda, França e até mesmo os Estados Unidos,  apresentam jornadas médias inferiores às praticadas no Brasil, sendo alguns desses aplicando jornadas inferiores à 35h/semana. 

Leia mais: Impactos da escala 6X1 na saúde

Esses exemplos demonstram que desenvolvimento econômico e qualidade de vida podem caminhar juntos. Mais descanso também significa mais produtividade, trabalhadores descansados tendem a ser mais atentos, motivados e produtivos. A redução do desgaste físico e mental contribui para a diminuição de afastamentos, melhora o ambiente de trabalho e favorece o desenvolvimento das atividades profissionais.

Investir no bem-estar das pessoas também é investir em produtividade.

Traduzindo, a redução da jornada de trabalho é:

Mais tempo para a família.

Mais tempo para estudar.

Mais tempo para cuidar da saúde.

Mais tempo para participar da comunidade.

Mais tempo para viver.

O trabalho é fundamental, mas a vida não pode apenas nos intervalos da jornada.

Discutir a redução da jornada de trabalho é discutir o tipo de sociedade que queremos construir: uma sociedade mais saudável, mais justa e mais comprometida com a dignidade das pessoas.